#historiaspraladeespeciais #supercoruja

#historiapraladeespecial #supercoruja

Mais uma linda história!!

Relato muito significativo que levou a mamãe Noemi  a um conceito de inclusão que todos nós deveríamos ter.

“Ser inclusivo é um estilo de vida, que precisa ser ensinado e aprendido por todos nós”.

 

nocolle

Uma experiência inclusiva

Falar sobre inclusão abrange mais que uma posição teórica ou filosófica, envolve uma práxis, um valor ético. Podemos considerar que um dos fundamentos para um pensamento e prática inclusiva é o conceito de alteridade, que se relaciona aquilo que é do outro, o que difere do outro, ou seja, aceitar o “outro” com todas as suas diferenças e semelhanças. Aceitar e ser aceito, eis uma qualidade a ser desenvolvida, é o processo de humanização de cada indivíduo.

O conceito de inclusão não se refere somente a crianças com deficiência, mas sim a todos os seres humanos, ser inclusivo é uma questão de estilo de vida. Sentir-se incluído é uma necessidade humana e ter práticas inclusivas se impõe como uma obrigatoriedade em nossa sociedade.

Minha querida filha Nicolle nasceu com lábio leporino e foi operada pela primeira vez aos três meses. Aos nove anos em 2005 ela fez outra cirurgia no CAIF (Centro de Atendimento Integral ao Fissurado Labiopalatal) em Curitiba. Nesta data junto com ela passei por uma experiência marcante como mãe e educadora.

 Na enfermaria estavam cinco crianças, duas tinham sérias fissuras por todo rosto.  No começo sentimos dificuldade em nos aproximar  e as primeiras tentativas foram rejeitadas. Com o passar das horas, conversando com as mães e através de jogos e livros infantis começamos a nos relacionar.

Aquela passagem rápida no hospital se tornou uma experiência enriquecedora e marcante para nossas vidas.

 Refletindo sobre a dificuldade que encontramos inicialmente percebi que havia barreiras culturais e estéticas que precisavam ser superadas.

Além daquilo que precisava mudar dentro de nós, era preciso olhar além das cicatrizes, olhar o João, o Marcos, a Juliana, crianças que brincam, jogam bola, sorriem e choram.

Olhar o sujeito em toda a sua complexidade, sua totalidade e não como alguém que precisa de uma reforma geral para que seja aceito e amado.

Precisávamos ainda estabelecer uma forma de comunicação que permitisse um relacionamento. Das cinco crianças que começaram a brincar juntas, duas apesar de já terem idade escolar, oito anos, ainda não estavam alfabetizadas, uma não conseguia falar e outra tinha problemas visuais graves. A possibilidade de brincar juntos parecia bastante limitada, no entanto, com o estabelecimento de novas regras e o uso de uma comunicação alternativa todas as crianças participaram e expressaram sua vontade através do ato do brincar.

Ser flexível é uma qualidade imprescindível para o estabelecimento de espaços inclusivos.

Após aquela brincadeira conseguimos estabelecer vínculos de cooperação entre as próprias mães e amizade entre as crianças. Mesmo depois da alta do hospital, ainda nos encontramos, duas crianças que moravam na região norte do Brasil e que estavam fazendo tratamento no CAIF, estiveram em minha casa e fizemos passeios juntos. A experiência foi enriquecedora e trouxe grandes lições de vida.

Experiências inclusivas precisam fazer parte no nosso cotidiano.

Estabelecer diálogos com aqueles que são diferentes esteticamente e socialmente de nós, traz desafios, a sensação é de pisar em território desconhecido, mas um território com uma beleza peculiar.

Crianças com fissuras na face sofrem preconceito e rejeição. Elas e seus pais escutam discursos impregnados de julgamentos, crendices ou comentários depreciativos. Numa sala de espera no hospital se escuta de tudo na tentativa de encontrar a causa do problema.

É preciso vencer o medo, este medo que nos paralisa, que nos faz olhar só para aquilo que consideramos bonito e perfeito.

Olhar um rosto com fissura é ter a coragem de pensar que o medo do “outro” pode ser infinitamente maior do que o nosso, é ver a coragem que estas crianças têm de enfrentarem suas próprias limitações e temores. É ter a coragem de compreender, de aceitar e amar incondicionalmente.

Hoje a Nicolle tem 20 anos, já passou por muitos desafios pessoais e seis cirurgias ao todo. Está na faculdade e demonstra em suas atitudes e posicionamentos, ser uma pessoa inclusiva e que deseja amar e ajudar o próximo.

Ser inclusivo é um estilo de vida, que precisa ser ensinado e aprendido por todos nós.

noemiNoemi Nascimento Ansay.

 

 

 

 

Compartilhe!