Histórias pra lá de especiais #supercoruja

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Eu sempre digo aos amigos foram três Estefas:

1- antes maternidade,

2- pós/maternidade,

3- pós/diagnóstico.

A terceira mais ou menos cinco anos atrás foi uma reconstrução de valores, de ideais e de mundo.

Mudei a minha linha de trajetória pessoal e profissional.

O alivio de entender o meu filho e o seu mundo foi o melhor presente.

Quando recebi a notícia de que meu filho, então com pouco mais de dois anos, foi diagnosticado dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA), não tinha ideia do que era isso e pior era professora. Se por um lado, essa informação explicava muita coisa, como o fato de ele até então não falar, ser uma criança difícil de lidar, às vezes explodindo em acessos de birra sem causa aparente, e ter também alguns atrasos na coordenação motora, por outro, foi um choque. Um choque em vários aspectos, desde expectativas para o futuro dele até concepções de vida, princípios éticos e morais.

Quando uma mãe recebe uma notícia destas, depois da fase do luto pela perda de todas aquelas crenças até então construídas, logo começa a buscar maneiras para ajudar seu filho. Assim, a partir do diagnóstico, iniciei uma longa jornada para ajudá-lo a desenvolver-se já que, diferente das outras crianças, certas habilidades não vêm automaticamente com o tempo, nem despertam nele o mesmo interesse e nem são adquiridas na mesma velocidade. Posso dizer que me tornei uma mãe especialista em certas matérias, já que li muitas centenas de páginas impressas e digitais, conversei com mais de uma dúzia de profissionais e ouvi (e continuo ouvindo)  horas de palestras das mais variadas áreas sobre o TEA.

O maior terapeuta de uma criança com necessidades educacionais especiais é sua família. Uma vez que a maior parte de seu tempo é passada com ela, faz-se imprescindível que esta família aprenda técnicas de estimulação e mesmo de como lidar com a criança. Cada um destes profissionais, ao longo do tempo, vai ensinando aos responsáveis pela criança a aplicar, em casa, as técnicas utilizadas em consultório, de modo a continuar o trabalho e desenvolver a criança nas áreas de interesse.

Toda essa experiência levou-me a desenvolver um afetuoso interesse pela área da educação especial, sobre a qual passei a pesquisar e acompanhar rotineiramente. Esse interesse, levou-me a formalizar e comprovar meus conhecimentos, de modo que hoje me especializei nessa área. Paralelamente, sei que muitas vezes o trabalho dos profissionais da Educação Especial deixa a desejar, e acredito que esse fato se deva à falta de consciência sobre a condição das crianças afetadas por transtornos de aprendizado. Consciência é o saber formal mais a experiência, ou seja, ninguém vai ser tão capacitado para atuar nesta área como uma mãe de criança com necessidades educacionais especiais, que estudou o assunto, uma vez que convive com ela todos os dias de sua vida e tem a ânsia e a motivação para trabalhar pelo desenvolvimento desta pessoa. Quem tem um filho especial, como é o meu caso, desenvolve mais facilmente a verdadeira paciência para lidar com as dificuldades da criança, compreende melhor os reveses que nos confrontam, e desperta para uma sensibilidade que faz com que valorize cada pequeno passo no processo de desenvolvimento.

Assim, tenho a certeza que estarei sempre realizando um trabalho com o coração, para além da formação e da experiência.

ESTEFANIA MENDES.

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